Citroën comemora 60 anos de existência do lendário modelo 2 CV

 

Simples e ao mesmo tempo inovador, o “dedeuche”, como era carinhosamente chamado em seu país natal, ou “dechevô” (pronúncia de 2 CV, em francês) no Brasil, foi um dos responsáveis pela motorização da França no pós-Segunda Guerra. Era um carro barato, resistente e extremamente prático.

A homenagem é nostálgica, mas a celebração realça, sobretudo, o espírito vanguardista do Citroën 2 CV à época. Um modelo concebido para otimizar a quantidade de peças, o peso, o consumo e o preço, permitindo propor um veículo acessível à grande maioria, sem deixar de lado valores essenciais como qualidade, estilo e habitabilidade. Afinal, o Citroën 2 CV foi projetado para poder “atravessar um campo arado com uma cesta de ovos colocada na poltrona, sem quebrá-los”.

A simpatia do 2 CV junto às gerações sucessivas nunca diminuiu. Aqueles que o conhecem ficam rapidamente apaixonados pelas suas formas. Uma boa natureza que o Pequeno Citroën continua mostrando em todas as estradas do mundo. Não é, nada raro, hoje em dia, cruzar com um incansável 2 CV nas estradas européias e sul-americanas − o modelo foi fabricado (e vendido em grandes quantidades) na Argentina. Com seu conceito econômico e simples, aliando as últimas evoluções tecnológicas da época, o 2 CV revolucionou a indústria automobilística e a sociedade ao abrir o caminho para o carro econômico, popular e polivalente. Essa vontade de inovar, que animou os engenheiros nas décadas de 1930 e 1940, permanece até hoje nos genes da marca Citroën.

Em abril de 1976, a Citroën lançou o 2 CV Spot (com 1.800 exemplares produzidos), primeiro de uma sucessão de séries limitadas. Em março de 1985, o 2 CV Dolly e, em outubro de 1990, veio o famoso 2 CV Charleston, com carroceria bicolor. De carro-ferramenta, o 2 CV foi se transformando em carro para jovens e mulheres, razões pelas quais foi ficando mais alegre e refinado. Há de acrescentar que o 2 CV oferecia uma vantagem eminentemente feminina: ele oferecia por um preço módico, o luxo de poder andar de conversível.

As mulheres sabem usar seu 2 CV

Logo no início da comercialização do 2 CV, a Citroën fez sua propaganda exaltando os inúmeros méritos do modelo com um folder comercial mostrando fotografias da infinidade de utilizações que se podia ter com este carro polivalente. Este “canivete suíço” das estradas era útil tanto para o padeiro quanto para o caixeiro viajante, sendo também indispensável tanto ao padre da paróquia quanto ao dono do comércio de calçados. Fenômeno vanguardista no fim dos anos 1940, o sexo feminino não foi esquecido: a mulher na direção era um fenômeno novo. Podia-se ver a parteira ou a modista carregar completamente seu pequeno Citroën. Já que as especificações de origem previam que o carro devesse ter condições de atravessar um campo arado com uma cesta de ovos dentro do porta-malas sem quebrar nenhum, foi perfeitamente natural ver uma fazendeira ir à feira dirigindo um 2 CV.

Um CV, 2 CV

Idade: 60 anos

Local de nascimento: departamento de engenharia da Citroën (na época instalado no número 48 da Rue du Théâtre, em Paris), centro de testes da Ferté-Vidame (Eure-et-Loire) e usina de Levallois (situada no 54 quai Michelet, destruída em 1988).

Características de origem: motor de 375 cm³ de 2 cilindros em posição horizontal refrigerado com ar que permitia chegar a 60 km/h, caixa de câmbio de três marchas + uma sobre-multiplicada, suspensão com grande curso, e entre alguns detalhes divertidos, limpador de pára-brisa acionado pelo cabo do velocímetro! O 2 CV era econômico e ecológico antes do tempo, já que seu consumo de gasolina era da ordem de 20 a 25 km/l.

Estudos

O 2 CV é um puro produto do departamento de engenharia da Citroën. Com o nome de projeto TPV (Toute Petite Voiture, Carro Pequeno), suas especificações foram definidas em 1936 por Pierre Boulanger, o diretor da Citroën na época. Este confiou sua concepção à equipe dos engenheiros de André Lefebvre, que criou um primeiro protótipo dirigível logo em 1937. A apresentação do Pequeno Citroën no Salão de Paris em outubro 1939 foi cancelada por causa da declaração de guerra. Os estudos voltaram a ser desenvolvidos durante a Ocupação e deles saiu o 2 CV tal como foi lançado 60 anos atrás, no Salão de Paris de 1948.

Histórico: Citroën 2 CV

Quinta-feira, 7 de outubro de 1948: primeira aparição no 35° Salão do Automóvel, no Grand Palais em Paris.

Julho de 1949: entra em fabricação na fábrica de Levallois com o nome de 2 CV A. Ele é uniformemente cinza e equipado com motor de 375 cm³ (9 cv).

1951: lançamento da versão caminhonete, o 2 CV AU (U para utilitário).

1952: o cinza metalizado é substituído pelo cinza único mais escuro.

1953: a grade frontal muda de visual. O oval que envolve os chevrons é suprimido. Os assentos de pano cinza são substituídos por assentos de pano escocês.

1954: lançamento de um novo modelo, o 2 CV AZ. Ele é equipado com motor de 425 cm³ (12 cv, velocidade máxima de 78 km/h) e de embreagem centrífuga. O 2 CV AU é substituído pelo 2 CV AZU, equipado com o novo motor.

1956: O 2 CV é proposto em versão AZL (para luxo). Seu motorista usufrui, enfim, do prazer da remoção de gelo do pára-brisa, de capota em cores e de um grande pára-brisa traseiro.

1958: surge o 2 CV AZLP (para porta de porta-malas). Apresentada a versão 4x4 “Sahara”, dotada de dois motores de 425 cm³ − um acionando as rodas dianteiras, o outro as rodas traseiras.

1959: fim do cinza como cor única com o aparecimento do azul.

1960: novo capô com grade frontal removível em alumínio embutido.

1963: novo motor de 425 cm³ (18 cv e 95 km/h) e saída simultânea de uma nova versão com um acabamento melhorado: o 2 CV AZAM.

1964: colocam-se as portas invertidas no bom sentido.

1965: adoção de um terceiro vidro lateral em cima do pára-lama traseiro. O 2 CV sedã passa a ser assim uma limusine.

1970: lançamento do 2 CV 4 (435 cm³) e do 2 CV 6 (602 cm³). No mesmo ano, a Citroën organiza um passeio de 16.500 km: a corrida Paris-Kabul-Paris.

1971: incansável, o 2 CV completa uma corrida ida e volta entre Paris e Persépolis, com 13 500 km.

1972: a Citroën organiza o primeiro Pop'Cross, que se transformará na Copa da França de 2 CV Cross, uma competição automobilística ainda muito popular em 2008.

1973: o 2 CV se lança na Corrida da África: 8.000 km de Abidjan (Costa do Marfim) a Tunis (Tunísia) atravessando o deserto do Saara.

1974: os faróis redondos dão lugar a faróis retangulares. Ele ganha uma nova grade frontal de cinco lâminas de plástico com os chevrons integrados.

1975: lançamento do 2 CV Especial. Ele recupera seus faróis redondos e perde o terceiro vidro lateral.

1976: lançamento da série especial 2 CV Spot.

1979: o 2 CV 6 passa a ser o 2 CV Clube. O 2 CV Especial (435 cm³) passa a ser o 2 CV 6 Especial (602 cm³).

1980: lançamento do 2 CV Charleston em série especial. O sucesso de sua aparência retrô é tal que ele passa a ser produzido em série no ano seguinte, com faróis cromados.

1986: a “Deux-pattes”, o monumento histórico automobilístico, é apresentado em série limitada Cocorico.

Fevereiro 1988: a produção do 2 CV termina na França na fábrica de Levallois, porém sua comercialização continua durante mais 29 meses.

Sexta-feira, 27 de julho de 1990 às 16h: a última unidade sai da fábrica de Mangualde, em Portugal. Em 42 anos (recorde de longevidade), o 2 CV foi fabricado em mais de 5 milhões de exemplares: 3.868.634 sedãs e 1.246.335 caminhonetes.

A fábrica de Levallois

A fábrica do 54 quai Michelet (cais Michelet), hoje desaparecida, está reconhecida como sendo o berço histórico do Pequeno Citroën. Foi lá, de fato, que foram montados em 1939 os famosos 2 CV de um só farol com a carroceria em alumínio. Dez anos mais tarde, em julho 1949, é de novo em Levallois que a produção do 2 CV tal como o conhecemos hoje foi iniciada.

A fábrica do Oeste parisiense fora construída em 1893 por Adolphe Clément para produzir triciclos e automóveis. Depois, em 1921, ela foi alugada à Citroën para a fabricação do famoso 5 CV e dos carros com esteiras que se tornaram famosos, alguns anos depois, pela Travessia do Saara e o Cruzeiro Negro.

A Citroën comprou a fábrica em 1929 e manteve sua atividade até 1988. O 2 CV é também montado nas fábricas de Forest, perto de Bruxelas; de Slough, perto de Londres; de Mangualde, em Portugal; de Vigo, na Espanha; e em todos os continentes em diversos países (Argentina, Chile, Grécia, Irã, Madagascar). 

Me chame « Dedeuche »

Mede-se a popularidade do 2 CV pela variedade dos apelidos pelos quais ele é, ou foi, chamado na França e no mundo inteiro: “Deux-pattes” (Duas patas), de “Deuche”, “Dedeuche”. Ele também já foi qualificado de “Quatro rodas debaixo de um guarda-chuva” e de “Guarda-chuva de quatro rodas”. Outros apelidos carinhosos foram “Eterno” e “Pulador” (termo usado logo depois da guerra para destacar o fato de suas rodas se agitarem muito dentro dos pára-lamas). Uma simples pesquisa na Internet permite descobrir apelidos engraçados como “Patinho Feio”, “Cocorico” (porque o ele reproduz o canto do galo quando se dá a partida) ou “salta-bancos de neve” (de fato, ele também anda muito à vontade na neve).

Os alemães e os holandeses apelidam o 2 CV de “Pato”. Em Finlandês, ele é chamado de “Cabrita” (provavelmente o barulho do motor quando da partida). Ele é “Camelo de aço” na África setentrional, “Two ci-vi” no continente norte-americano e “Rättisitikka” na Finlândia − a tradução é “o carro do catador de papelão”.

Texto, Informações e fotos: Citroën do Brasil

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